Vive de novo cada dia que não existe. Perde a estribeira se
houver passado que não passe, cada passo que não me enlace na loucura desta
vida breve que tarda em ser concreta
Concreta será toda a matéria que me dilata a artéria aorta
que me sussurra e palpita com o passar de cada porta. Tive muitas vidas e não
mandei em nenhuma, mando uma pedra por cada honra cumprida que não alcancei
numa noite de canseira fugaz e atroz… voz vista na minha conquista que tarda e
não nos traz a nós. Atrás, dois caminhos insignificantes que pecam por ser
distantes e sem destino, solto o hino por cada manhã que acordo e em que cada
noite, quando o sol está indo, revejo na minha pequenez anã. Se foi duro tudo o
que não perdura, perfura me intensamente e acorda me de manhã
Tira umas férias
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Redondamente quadrado
Quatro partes, duas linhas que não se cruzam e duas perpendiculares. Quatro arestas no plano de duas dimensões. Dimensão do sonho e dimensão da morte. Ou da vida. Linhas que não se cruzam tendem a estar cada vez mais próximas, paradoxalmente acabarão por se unir.
Eu, tu, ele, nós.
Não me cabe a mim decidir quais se cruzam, não me cabe a mim ser qualquer uma delas.
Cabe-me a mim perceber a sua área, antes que a minha própria se acabe.
Cabe-me a mim dissecar cada ínfimo ponto dessa mesma estrutura finita. Morte
Cabe ao "tu" entrar na minha área e dividi-la em quadrados semelhantes de menor dimensão
Cabe a ele roubar cada ínfimo ponto presente nesses quadrados semelhantes de menor dimensão
Cabe a ele transformá-los num insignificante circulo de opções, onde não tens como fugir da espiral de retrocesso e vida
Cabe-nos a nós somar todos esses quadrados de maior dimensão, inseri-los no maior plano possível e extender as nossas hipóteses, vivendo como se soube não morrer e morrer como se queria viver
Quatro partes. Duas linhas que não se cruzam.
Eu, tu, ele, nós.
Não me cabe a mim decidir quais se cruzam, não me cabe a mim ser qualquer uma delas.
Cabe-me a mim perceber a sua área, antes que a minha própria se acabe.
Cabe-me a mim dissecar cada ínfimo ponto dessa mesma estrutura finita. Morte
Cabe ao "tu" entrar na minha área e dividi-la em quadrados semelhantes de menor dimensão
Cabe a ele roubar cada ínfimo ponto presente nesses quadrados semelhantes de menor dimensão
Cabe a ele transformá-los num insignificante circulo de opções, onde não tens como fugir da espiral de retrocesso e vida
Cabe-nos a nós somar todos esses quadrados de maior dimensão, inseri-los no maior plano possível e extender as nossas hipóteses, vivendo como se soube não morrer e morrer como se queria viver
Quatro partes. Duas linhas que não se cruzam.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Gostava de ser como os gatos
Gostava de ser como os gatos. Sim, como os gatos. Felinos domesticados que só mostram a sua real natureza se, em algum caso, lhes espezinhamos a cauda ou, por obra do Diabo, nos esquecemos de lhes abrir a porta de Fevereiro.
Mas não é por ser um felino domesticado que rejubilaria a minha alma caso fosse um - ser um felino é bom por si, escusa de ter o domesticado como apêndice colado à sua natureza falsa. É sim por ser um gato, e não ser humano. Tudo seria mais difícil, porém mais fácil. Só precisar dos donos para estas pequenas tarefas tão importantes, oh! Quem me dá esse pequeno grande prazer? Ninguém!
Ter que viver às custas da minha alma é demasiado pesado. Se não precisasse de me apegar a quem quer que fosse se não a mim próprio e às minhas garras e dentição aguda e afiada, oh deuses! Há prazer mais genuíno que o de não querer ser amado?
Para ser homem tem que se deixar muita coisa para trás, esquecer muita coisa à frente e não escolher o quê, ou quem tenho que aturar quando for velhinho em frente a uma lareira, sempre preocupado em evitar intoxicação por monóxido de carbono - não a minha, mas das pessoas que me impediriam de viver vivendo se morressem, ainda por mais se fosse por me ter esquecido de uma janela fechada!
Só precisava de uma janela fechada - a janela que os gatos vêm aberta em cada ferida de alguém só, e me pudesse aproveitar como eles se aproveitam, tão ingenuamente e irracionalmente inteligentes, que até chegam a dar dó... Tenham antes dó de nós! Se me pudesse aproveitar disto e viver como um gato, sem ter que dar justificações a não ser na hora de comer ou de mudar a areia, vivia tão dificilmente mais fácil. Sem razões inexplicáveis, sem amores, sem amantes, sem família que nos faça sofrer e nos faça tão bem pelo que sentimos por cada momento de Natal juntos à mesa, nem que seja por pura convenção.
Só precisava de ser um gato.
Mas não é por ser um felino domesticado que rejubilaria a minha alma caso fosse um - ser um felino é bom por si, escusa de ter o domesticado como apêndice colado à sua natureza falsa. É sim por ser um gato, e não ser humano. Tudo seria mais difícil, porém mais fácil. Só precisar dos donos para estas pequenas tarefas tão importantes, oh! Quem me dá esse pequeno grande prazer? Ninguém!
Ter que viver às custas da minha alma é demasiado pesado. Se não precisasse de me apegar a quem quer que fosse se não a mim próprio e às minhas garras e dentição aguda e afiada, oh deuses! Há prazer mais genuíno que o de não querer ser amado?
Para ser homem tem que se deixar muita coisa para trás, esquecer muita coisa à frente e não escolher o quê, ou quem tenho que aturar quando for velhinho em frente a uma lareira, sempre preocupado em evitar intoxicação por monóxido de carbono - não a minha, mas das pessoas que me impediriam de viver vivendo se morressem, ainda por mais se fosse por me ter esquecido de uma janela fechada!
Só precisava de uma janela fechada - a janela que os gatos vêm aberta em cada ferida de alguém só, e me pudesse aproveitar como eles se aproveitam, tão ingenuamente e irracionalmente inteligentes, que até chegam a dar dó... Tenham antes dó de nós! Se me pudesse aproveitar disto e viver como um gato, sem ter que dar justificações a não ser na hora de comer ou de mudar a areia, vivia tão dificilmente mais fácil. Sem razões inexplicáveis, sem amores, sem amantes, sem família que nos faça sofrer e nos faça tão bem pelo que sentimos por cada momento de Natal juntos à mesa, nem que seja por pura convenção.
Só precisava de ser um gato.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Já Imaginaram
Já imaginaram acordar sem ter adormecido? Adormecer sem ter nascido? Eu também nunca imaginei tal baforada. Mas imaginem. Imaginar será uma junção de imagens com viajar? Podia ser, se não o é.
Imaginar é percorrer o mundo inexistente e torna-lo existente. Se é que tal coisa possa existir.
Sonhamos com o nunca acordar, sem nunca ter acordado a querer acordar. Queremos sempre dormir mais um pouco. Sonhar. Imaginar. Morrer. Nunca vi ninguém que tenha a vida quase como garantida - se é que até a morte possamos dar como garantida - e desejar continuar a viver. Queremos continuar onde nunca estivemos, onde nunca acordámos. Mas sem acordar não desejaríamos levantar, tomar o pequeno almoço e partir? As pessoas que não acordam não desejam acordar, para depois desejar adormecer? Talvez a vida seja isto - um misto de querer e não querer onde queremos sempre o que não queremos. É confuso, até para mim que escrevo isto, imaginar isto...
Mas já imaginaram?
Imaginar é percorrer o mundo inexistente e torna-lo existente. Se é que tal coisa possa existir.
Sonhamos com o nunca acordar, sem nunca ter acordado a querer acordar. Queremos sempre dormir mais um pouco. Sonhar. Imaginar. Morrer. Nunca vi ninguém que tenha a vida quase como garantida - se é que até a morte possamos dar como garantida - e desejar continuar a viver. Queremos continuar onde nunca estivemos, onde nunca acordámos. Mas sem acordar não desejaríamos levantar, tomar o pequeno almoço e partir? As pessoas que não acordam não desejam acordar, para depois desejar adormecer? Talvez a vida seja isto - um misto de querer e não querer onde queremos sempre o que não queremos. É confuso, até para mim que escrevo isto, imaginar isto...
Mas já imaginaram?
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Good Morning, Jones
Bom dia, falo eu para mim próprio, ainda a acordar de um sonho que tive. Mas já não me lembro bem! Ainda agora o sabia na ponta da língua, como quem sabe a serenata que vai cantar a quem nunca cantou ou amou. Ou como quem sabe a tabuada que vai precisar no dia em que a música não for a salvação das massas. Ou ambos, porque não?
A matemática não impede ninguém de não amar, porém, não permite que não ame sequer. A matemática é a matemática, aquilo que faz tudo parecer muito mais fabulástico do que na realidade é e, no entanto, todos a odeiam.
Faz-nos querer viver tudo doutra forma, do quão horrível é. Horrível não, Linda! Verdadeira!
Sabe Deus - ou quem quer que esteja lá em cima ou em parte incerta - as vezes que desisti de estudar para tornar a televisão no meu fervoroso amor.
É esta a beleza não-natural da matemática: torna tudo o que era invisível na mais bela paisagem citadina - ou natural conforme os prazeres do homem - alguma vez construída ... Linda!
A matemática não impede ninguém de não amar, porém, não permite que não ame sequer. A matemática é a matemática, aquilo que faz tudo parecer muito mais fabulástico do que na realidade é e, no entanto, todos a odeiam.
Faz-nos querer viver tudo doutra forma, do quão horrível é. Horrível não, Linda! Verdadeira!
Sabe Deus - ou quem quer que esteja lá em cima ou em parte incerta - as vezes que desisti de estudar para tornar a televisão no meu fervoroso amor.
É esta a beleza não-natural da matemática: torna tudo o que era invisível na mais bela paisagem citadina - ou natural conforme os prazeres do homem - alguma vez construída ... Linda!
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
D. Sancho - O conquistador
Jurei a pátria que sabias guardar tesouros, assassínios de outrem, sozinho e de parte ria por saberes contar piadas que só eu entendia.
Mas nem a verdade é tão cruel como tu es crua e fria, porque falavas a verdade.. e no entanto mentias.
Se noutro dia pedires perdão, aos teus eu peço uma razão: é por ser D.sancho que deste então o teu gancho de ouro a Sebastião?
Mas nem a verdade é tão cruel como tu es crua e fria, porque falavas a verdade.. e no entanto mentias.
Se noutro dia pedires perdão, aos teus eu peço uma razão: é por ser D.sancho que deste então o teu gancho de ouro a Sebastião?
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
é mais fácil escrever
É mais fácil escrever. Reparem: Ensinam-nos a fazê-lo. Ensinam-nos a usar vírgulas, embora alguns não sejam mestres da vírgula. Ensinam-nos a usar os tempos adequados e apropriados a determinada frase - muitas vezes falácias. Mentiras. Ensinam-nos a fazer um texto com Introdução, Desenvolvimento e Conclusão, de onde concluímos nada mais que nada que não tínhamos concluído antes.
E se em vez de nos ensinarem isso, nos ensinassem a crescer? a viver? a amar?
Talvez ninguém tenha tirado o mestrado da vida, todos chumbam no 1º ano do secundário.
Somos todos filósofos da vida, todos falamos dela, mas nunca iremos chegar a parte alguma que não uma parte incerta.
Ninguém nos ensina a vida, porque nós é que a temos que aprender? Ou é porque somos nós os professores da vida?
Se a vida for como um fio de coco, que ninguém a consegue ver de relance mas onde todos tropeçam, então eu ando numa corda bamba. Não bamba, mas vai andando. Tal como as palavras, vai rodando de cabeça em cabeça, de boca em boca, mas não pertence a ninguém.
Realmente é mais fácil escrever. Continuem a esmiuçar os nossos cérebros de ortografia, coesão e gramática, que é mais útil.
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