segunda-feira, 9 de setembro de 2013

é mais fácil escrever

É mais fácil escrever. Reparem: Ensinam-nos a fazê-lo. Ensinam-nos a usar vírgulas, embora alguns não sejam mestres da vírgula. Ensinam-nos a usar os tempos adequados e apropriados a determinada frase - muitas vezes falácias. Mentiras. Ensinam-nos a fazer um texto com Introdução, Desenvolvimento e Conclusão, de onde concluímos nada mais que nada que não tínhamos concluído antes.

E se em vez de nos ensinarem isso, nos ensinassem a crescer? a viver? a amar?

Talvez ninguém tenha tirado o mestrado da vida, todos chumbam no 1º ano do secundário.
Somos todos filósofos da vida, todos falamos dela, mas nunca iremos chegar a parte alguma que não uma parte incerta. 
Ninguém nos ensina a vida, porque nós é que a temos que aprender? Ou é porque somos nós os professores da vida?

Se a vida for como um fio de coco, que ninguém a consegue ver de relance mas onde todos tropeçam, então eu ando numa corda bamba. Não bamba, mas vai andando. Tal como as palavras, vai rodando de cabeça em cabeça, de boca em boca, mas não pertence a ninguém.

Realmente é mais fácil escrever. Continuem a esmiuçar os nossos cérebros de ortografia, coesão e gramática, que é mais útil.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cidade, tempo de paixão

Saio todas as noites da cama, e olho para os prédios, para as luzes acesas que sobressaem dos buraquinhos dos estores antigos. É vida dos outros. Quem me dera entrar num desses feixes de luz. Entrar na tua vida.
Fodasse, não sei quem és, não te vi ainda na rua. Vais ser o meu prato de carne em naufrágio numa ilha abandonada. Vais ser eu. Tu. Nós. Nunca vamos ser nós, vais ser tu, e eu vou ser eu. Ai, como te amo.


Tirar da cabeça o pó de antigos amores, e trocar a mobília por uma antiga, mas nova. Por uma confortável e que me faça sorrir, mas que possa mudar e mesmo assim ter muito espaço, e uma bela sala de estar para convidar os teus amigos. Isso é que vai ser, jantaradas e jantaradas!


Ah, universo, o quanto eu dava para ser parte de ti!

domingo, 1 de setembro de 2013

Se eu tentar ser homem

Se eu tentar ser homem, nada vai mudar.
Devia deixar de rimar, para homem ser
Devia apoquentar o velho que resmunga,
Devia usar  traje de menino crescido
E crescer, por menino não ter sido.
Devia tanta coisa. Ainda devo.
Devo a palavra, e é na palavra que me atrevo
A ser travado por um aperto que me conteve,
E não me deixou ser homem.
Devo o medo de não ter sequer vivido
quando um homem me esteve impingindo
as regras para viver o jogo, e o jogo
para viver as regras que no sono rogo.
Adormeço não sendo homem,
Mas acordo sem o ser.
Afinal aos sonos não lhes compete
Mudar e melhorar o saber
De acordar ao som de trompete
e, mesmo não estando na tropa,
tropeçar na lama que vai na frente,
Na frente da minha vida de rapaz.