domingo, 1 de setembro de 2013

Se eu tentar ser homem

Se eu tentar ser homem, nada vai mudar.
Devia deixar de rimar, para homem ser
Devia apoquentar o velho que resmunga,
Devia usar  traje de menino crescido
E crescer, por menino não ter sido.
Devia tanta coisa. Ainda devo.
Devo a palavra, e é na palavra que me atrevo
A ser travado por um aperto que me conteve,
E não me deixou ser homem.
Devo o medo de não ter sequer vivido
quando um homem me esteve impingindo
as regras para viver o jogo, e o jogo
para viver as regras que no sono rogo.
Adormeço não sendo homem,
Mas acordo sem o ser.
Afinal aos sonos não lhes compete
Mudar e melhorar o saber
De acordar ao som de trompete
e, mesmo não estando na tropa,
tropeçar na lama que vai na frente,
Na frente da minha vida de rapaz.

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