Jurei a pátria que sabias guardar tesouros, assassínios de outrem, sozinho e de parte ria por saberes contar piadas que só eu entendia.
Mas nem a verdade é tão cruel como tu es crua e fria, porque falavas a verdade.. e no entanto mentias.
Se noutro dia pedires perdão, aos teus eu peço uma razão: é por ser D.sancho que deste então o teu gancho de ouro a Sebastião?
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
é mais fácil escrever
É mais fácil escrever. Reparem: Ensinam-nos a fazê-lo. Ensinam-nos a usar vírgulas, embora alguns não sejam mestres da vírgula. Ensinam-nos a usar os tempos adequados e apropriados a determinada frase - muitas vezes falácias. Mentiras. Ensinam-nos a fazer um texto com Introdução, Desenvolvimento e Conclusão, de onde concluímos nada mais que nada que não tínhamos concluído antes.
E se em vez de nos ensinarem isso, nos ensinassem a crescer? a viver? a amar?
Talvez ninguém tenha tirado o mestrado da vida, todos chumbam no 1º ano do secundário.
Somos todos filósofos da vida, todos falamos dela, mas nunca iremos chegar a parte alguma que não uma parte incerta.
Ninguém nos ensina a vida, porque nós é que a temos que aprender? Ou é porque somos nós os professores da vida?
Se a vida for como um fio de coco, que ninguém a consegue ver de relance mas onde todos tropeçam, então eu ando numa corda bamba. Não bamba, mas vai andando. Tal como as palavras, vai rodando de cabeça em cabeça, de boca em boca, mas não pertence a ninguém.
Realmente é mais fácil escrever. Continuem a esmiuçar os nossos cérebros de ortografia, coesão e gramática, que é mais útil.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Cidade, tempo de paixão
Saio todas as noites da cama, e olho para os prédios, para as luzes acesas que sobressaem dos buraquinhos dos estores antigos. É vida dos outros. Quem me dera entrar num desses feixes de luz. Entrar na tua vida.
Fodasse, não sei quem és, não te vi ainda na rua. Vais ser o meu prato de carne em naufrágio numa ilha abandonada. Vais ser eu. Tu. Nós. Nunca vamos ser nós, vais ser tu, e eu vou ser eu. Ai, como te amo.
Tirar da cabeça o pó de antigos amores, e trocar a mobília por uma antiga, mas nova. Por uma confortável e que me faça sorrir, mas que possa mudar e mesmo assim ter muito espaço, e uma bela sala de estar para convidar os teus amigos. Isso é que vai ser, jantaradas e jantaradas!
Ah, universo, o quanto eu dava para ser parte de ti!
Fodasse, não sei quem és, não te vi ainda na rua. Vais ser o meu prato de carne em naufrágio numa ilha abandonada. Vais ser eu. Tu. Nós. Nunca vamos ser nós, vais ser tu, e eu vou ser eu. Ai, como te amo.
Tirar da cabeça o pó de antigos amores, e trocar a mobília por uma antiga, mas nova. Por uma confortável e que me faça sorrir, mas que possa mudar e mesmo assim ter muito espaço, e uma bela sala de estar para convidar os teus amigos. Isso é que vai ser, jantaradas e jantaradas!
Ah, universo, o quanto eu dava para ser parte de ti!
domingo, 1 de setembro de 2013
Se eu tentar ser homem
Se eu tentar ser homem, nada vai mudar.
Devia deixar de rimar, para homem ser
Devia apoquentar o velho que resmunga,
Devia usar traje de menino crescido
E crescer, por menino não ter sido.
Devia tanta coisa. Ainda devo.
Devo a palavra, e é na palavra que me atrevo
A ser travado por um aperto que me conteve,
E não me deixou ser homem.
Devo o medo de não ter sequer vivido
quando um homem me esteve impingindo
as regras para viver o jogo, e o jogo
para viver as regras que no sono rogo.
Adormeço não sendo homem,
Mas acordo sem o ser.
Afinal aos sonos não lhes compete
Mudar e melhorar o saber
De acordar ao som de trompete
e, mesmo não estando na tropa,
tropeçar na lama que vai na frente,
Na frente da minha vida de rapaz.
Devia deixar de rimar, para homem ser
Devia apoquentar o velho que resmunga,
Devia usar traje de menino crescido
E crescer, por menino não ter sido.
Devia tanta coisa. Ainda devo.
Devo a palavra, e é na palavra que me atrevo
A ser travado por um aperto que me conteve,
E não me deixou ser homem.
Devo o medo de não ter sequer vivido
quando um homem me esteve impingindo
as regras para viver o jogo, e o jogo
para viver as regras que no sono rogo.
Adormeço não sendo homem,
Mas acordo sem o ser.
Afinal aos sonos não lhes compete
Mudar e melhorar o saber
De acordar ao som de trompete
e, mesmo não estando na tropa,
tropeçar na lama que vai na frente,
Na frente da minha vida de rapaz.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Viagem ao globo em 20 linhas
Se dissesse que conseguia fazer uma viagem ao globo em 20 linhas mentia. Talvez em 22, no máximo 23, desse. Agora em 20? poupem-me. Prefiro criar um blogue e espetar lá qualquer coisa que me venha à cabeça. No mundo nada pode ser feito com suposições. Não podes supor que vais chegar a tempo a uma entrevista, ou se vais beber muito à noite. Suposições. Mentiras. Ilusões. Se temos um planeta inteiro, cheio de muito e de pouco, de tanta coisa real, porquê dizer que se vai fazer alguma coisa? Eu disse que ia fazer a viagem ao globo, e estou a escrever.
Nada é como queremos que não fosse. Nada foi o que queríamos que fosse. É o nosso problema, nunca estamos satisfeitos. Se temos um bolo com chocolate, queríamos pepitas de caramelo nele. Se temos uma oportunidade à nossa frente, queremos sempre ultrapassá-la ilegalmente pela direita e acabamos estampados numa árvore - Sim, porque ninguém vai supor isso - ou presos por excesso de velocidade.
A vida é bonita ? Não é? O que faço eu aqui, a supor que a vida é bonita, quando posso apreciar o seu lado feio e asqueroso e sentir alguma coisa, nem que seja o sentir que sou um selo de um postal, estampado contra uma árvore. Estampado contra ti. Tudo era melhor que a suposição de ser melhor que tudo o que nunca o foi.
É impressionante: consigo escrever tanto e não dizer nada que as pessoas, inclusive eu, - eu sou uma pessoa, acreditem - pensam que quero transmitir alguma coisa. Secalhar quero. Mas não suponham
Nada é como queremos que não fosse. Nada foi o que queríamos que fosse. É o nosso problema, nunca estamos satisfeitos. Se temos um bolo com chocolate, queríamos pepitas de caramelo nele. Se temos uma oportunidade à nossa frente, queremos sempre ultrapassá-la ilegalmente pela direita e acabamos estampados numa árvore - Sim, porque ninguém vai supor isso - ou presos por excesso de velocidade.
A vida é bonita ? Não é? O que faço eu aqui, a supor que a vida é bonita, quando posso apreciar o seu lado feio e asqueroso e sentir alguma coisa, nem que seja o sentir que sou um selo de um postal, estampado contra uma árvore. Estampado contra ti. Tudo era melhor que a suposição de ser melhor que tudo o que nunca o foi.
É impressionante: consigo escrever tanto e não dizer nada que as pessoas, inclusive eu, - eu sou uma pessoa, acreditem - pensam que quero transmitir alguma coisa. Secalhar quero. Mas não suponham
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Tira umas férias
O nome deste blogue não pode ser em vão, penso eu.
Regurgito palavras ao som de Pink Floyd. Tratem-me por fixe. Culto. Rapaz.
Não podia ser outra coisa, tenho que tirar umas férias desta vida tão perfeita, verão sem nuvens não é verão em parte alguma.
Não quero desiludir ninguém. É de mim, não de mais ninguém. Talvez a culpa seja das outras pessoas, pessoas fantásticas que não quero desapontar. Não quero que pensem que não lhes respondo por não querer falar com elas. Gosto tanto de ti, Benedita Ninguém. Deixar as coisas correr. O que acontecer acontece, não vamos ficar lixados por isso. Se não acontecer nada foi porque não houve ocasião.
Da minha varanda vejo divisões fechadas, parecem jaulas com estores, daqueles à antiga, que muita gente ainda usa pra fazer musculação. Estou fechado, nesta jaula com varanda. Árvore à minha frente, que está tão longe que quase lhe toco se quiser voar durante 5 metros. Só nas férias tenho tempo para pensar nisto, o resto do tempo estou ocupado de mais. Às vezes ocupado com nada, mas ocupado. Ocupado comigo, sem migo, contigo, sem tigo. As férias são indefinição. Já te disse mais de mil vezes ecoa no meu computador, porque não apanho rádio na aparelhagem. Talvez compre o cd, para ter com que me ocupar.
Férias: O melhor que alguma vez inventaram, e são subvalorizadas.
Regurgito palavras ao som de Pink Floyd. Tratem-me por fixe. Culto. Rapaz.
Não podia ser outra coisa, tenho que tirar umas férias desta vida tão perfeita, verão sem nuvens não é verão em parte alguma.
Não quero desiludir ninguém. É de mim, não de mais ninguém. Talvez a culpa seja das outras pessoas, pessoas fantásticas que não quero desapontar. Não quero que pensem que não lhes respondo por não querer falar com elas. Gosto tanto de ti, Benedita Ninguém. Deixar as coisas correr. O que acontecer acontece, não vamos ficar lixados por isso. Se não acontecer nada foi porque não houve ocasião.
Da minha varanda vejo divisões fechadas, parecem jaulas com estores, daqueles à antiga, que muita gente ainda usa pra fazer musculação. Estou fechado, nesta jaula com varanda. Árvore à minha frente, que está tão longe que quase lhe toco se quiser voar durante 5 metros. Só nas férias tenho tempo para pensar nisto, o resto do tempo estou ocupado de mais. Às vezes ocupado com nada, mas ocupado. Ocupado comigo, sem migo, contigo, sem tigo. As férias são indefinição. Já te disse mais de mil vezes ecoa no meu computador, porque não apanho rádio na aparelhagem. Talvez compre o cd, para ter com que me ocupar.
Férias: O melhor que alguma vez inventaram, e são subvalorizadas.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Para Benedita
"Olá, daqui falo eu se tivesse vivido há 30 anos. Sei escrever porque tenho dinheiro, senão mandava alguém escrever uma merda qualquer e enviava, se tivesse dinheiro mas não soubesse escrever. Mas sei!
Sempre quis escrever uma carta. Para alguém. Para ti, Benedita. Como o papel está caro e a Internet barata, faço de conta que escrevo uma carta para ti, que moras no Porto tão perto do nada, e tão longe do ainda mais nada. Não querias estar perto, isso não é assim.
Enfim, escrevo a dizer que gostava de escrever uma carta, onde diria que não te amo nem nunca amei. Filha, não te conheço! Escrever cartas como antigamente, quem me dera! Não. Consigo. Escrever. Como. Devia. Escrevo como quero, ou como querem que escreva. Sei escrever, já é um príncipio. Não era tudo tão aborrecido e extasiante se houvesse este vício de escrever cartas?
Há 30 era. Sem mais assunto, me despeço sem o meu amor, nem sequer um beijinho. Já te disse que não te conheço, não me peças isso."
Sempre quis escrever uma carta. Para alguém. Para ti, Benedita. Como o papel está caro e a Internet barata, faço de conta que escrevo uma carta para ti, que moras no Porto tão perto do nada, e tão longe do ainda mais nada. Não querias estar perto, isso não é assim.
Enfim, escrevo a dizer que gostava de escrever uma carta, onde diria que não te amo nem nunca amei. Filha, não te conheço! Escrever cartas como antigamente, quem me dera! Não. Consigo. Escrever. Como. Devia. Escrevo como quero, ou como querem que escreva. Sei escrever, já é um príncipio. Não era tudo tão aborrecido e extasiante se houvesse este vício de escrever cartas?
Há 30 era. Sem mais assunto, me despeço sem o meu amor, nem sequer um beijinho. Já te disse que não te conheço, não me peças isso."
Guardei no telemóvel isto
Oh senhor!, a indiferença é um sentimento tão feio, tão defecantemente horripilante. Trai a razão de alguém que sentiu dúvidas - pensar que não afeta é ingenuidade, mas já lá vamos...- no momento em que não estava preparado para senti-las.
É dúbio pensar que a diferença se trata com indiferença. Mas é paradoxal tratar indiferença com indiferença - e o planeta cor de azul-mesquinho não é, e isso eu sei, paradoxal...
Nada que não seja futuro é indiferente. A maior insignificância. A tv apagada. Uma melga morta. Amor. Amor passado. Só o amor futuro, e a futura tv ligada e a futura melga morta nos são distantes e nos precipitam para uma paz e uma decepcionante apatia - por agora.
É dúbio pensar que a diferença se trata com indiferença. Mas é paradoxal tratar indiferença com indiferença - e o planeta cor de azul-mesquinho não é, e isso eu sei, paradoxal...
Nada que não seja futuro é indiferente. A maior insignificância. A tv apagada. Uma melga morta. Amor. Amor passado. Só o amor futuro, e a futura tv ligada e a futura melga morta nos são distantes e nos precipitam para uma paz e uma decepcionante apatia - por agora.
Colonoscopia
Ontem, vi um raio dum cano a soltar-se do chão. Vergou como uma cesta, partiu como um osso parte, mas não me magoei. Apenas vi. Quem me dera ver tudo como vi aquilo. Tão claro. Tão cheio. Tão nada. Não me magoei. As dúvidas nascem de canos que partem, mas estamos virados para o vazio, nem sequer reparamos. Tiramos conclusões do barulho que fez.
"Acho que se partiu alguma coisa"
Deixa-te de inventar, Rui.
"Secalhar é da sangria, não ligues"
Não é da Sangria. O cano partiu-se e fingimos não ver.
Somos felizes assim.
Pedro Nunes
"Acho que se partiu alguma coisa"
Deixa-te de inventar, Rui.
"Secalhar é da sangria, não ligues"
Não é da Sangria. O cano partiu-se e fingimos não ver.
Somos felizes assim.
Pedro Nunes
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