"Olá, daqui falo eu se tivesse vivido há 30 anos. Sei escrever porque tenho dinheiro, senão mandava alguém escrever uma merda qualquer e enviava, se tivesse dinheiro mas não soubesse escrever. Mas sei!
Sempre quis escrever uma carta. Para alguém. Para ti, Benedita. Como o papel está caro e a Internet barata, faço de conta que escrevo uma carta para ti, que moras no Porto tão perto do nada, e tão longe do ainda mais nada. Não querias estar perto, isso não é assim.
Enfim, escrevo a dizer que gostava de escrever uma carta, onde diria que não te amo nem nunca amei. Filha, não te conheço! Escrever cartas como antigamente, quem me dera! Não. Consigo. Escrever. Como. Devia. Escrevo como quero, ou como querem que escreva. Sei escrever, já é um príncipio. Não era tudo tão aborrecido e extasiante se houvesse este vício de escrever cartas?
Há 30 era. Sem mais assunto, me despeço sem o meu amor, nem sequer um beijinho. Já te disse que não te conheço, não me peças isso."
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