sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Viagem ao globo em 20 linhas

Se dissesse que conseguia fazer uma viagem ao globo em 20 linhas mentia. Talvez em 22, no máximo 23, desse. Agora em 20? poupem-me. Prefiro criar um blogue e espetar lá qualquer coisa que me venha à cabeça. No mundo nada pode ser feito com suposições. Não podes supor que vais chegar a tempo a uma entrevista, ou se vais beber muito à noite. Suposições. Mentiras. Ilusões. Se temos um planeta inteiro, cheio de muito e de pouco, de tanta coisa real, porquê dizer que se vai fazer alguma coisa? Eu disse que ia fazer a viagem ao globo, e estou a escrever.

Nada é como queremos que não fosse. Nada foi o que queríamos que fosse. É o nosso problema, nunca estamos satisfeitos. Se temos um bolo com chocolate, queríamos pepitas de caramelo nele. Se temos uma oportunidade à nossa frente, queremos sempre ultrapassá-la ilegalmente pela direita e acabamos estampados numa árvore - Sim, porque ninguém vai supor isso - ou presos por excesso de velocidade.

A vida é bonita ? Não é? O que faço eu aqui, a supor que a vida é bonita, quando posso apreciar o seu lado feio e asqueroso e sentir alguma coisa, nem que seja o sentir que sou um selo de um postal, estampado contra uma árvore. Estampado contra ti. Tudo era melhor que a suposição de ser melhor que tudo o que nunca o foi.

É impressionante: consigo escrever tanto e não dizer nada que as pessoas, inclusive eu, - eu sou uma pessoa, acreditem - pensam que quero transmitir alguma coisa. Secalhar quero. Mas não suponham

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